Sudoeste debate o novo Código Florestal
Aconteceu na manhã do dia cinco de dezembro em Francisco Beltrão, mais uma audiência pública para debater o novo código florestal. Ambientalistas, deputados, vereadores, prefeitos e sindicalistas, participaram deste importante evento. A Comissão Especial do Código Florestal uniu-se a entidades para apresentar aos pequenos agricultores, o que está sendo debatido no restante do país em relação à preservação do meio ambiente. O presidente da Comissão, deputado federal Moacir Micheletto, esteve acompanhado do também deputado federal e relator da comissão, Aldo Rebelo.

     

     A ACAMSOP/M-14 foi representada pela primeira secretária, Marilde Lodi Manica, vereadora do município de Coronel Vivida. Em sua fala, Marilde lembrou que a razão de estar acontecendo este debate, é justamente para que o pequeno agricultor não seja penalizado sozinho, pelos desmatamentos que aconteceram e acontecem até hoje. “O agricultor familiar é sem dúvida o maior prejudicado nesta história toda, por décadas e décadas ninguém se preocupou em preservar, os próprios governos investiam em desmatamentos e drenagens de banhados, mas hoje a culpa recai apenas nos agricultores, como se a culpa de tudo isto fosse apenas deles. O agricultor familiar quer e necessita apenas do seu pedacinho de chão para plantar, não pode ser penalizado pela sociedade a “pagar” a conta, devemos entender que se isto acontecer, o êxodo rural será muito grande nos próximos anos, trazendo ainda mais problemas sociais para as cidades. A minha sugestão, é para que empresas poluidoras, empresas que exploram o meio ambiente, empresas que faturam muito dinheiro com exploração dos recursos naturais, paguem a conta, pois se o agricultor vai realmente ser obrigado a deixar os 20% de reserva legal, que estas empresas os reembolsem por esta reserva, até porque muitos destes pequenos agricultores tem pequenas áreas e 20% pode significar muito em relação a este pedaço de terra”.

     Com o mesmo discurso de Marilde, Micheletto e Aldo Rebelo afirmaram que o grande vilão não é o pequeno produtor. Micheletto afirma ainda que o pequeno produtor não pode suportar o “seqüestro” destes 20% de área, mas ao mesmo tempo fala sobre a necessidade de se entrar em um consenso, e, apontou soluções para este impasse. “Ninguém aqui está sendo radical nas afirmações, até porque entendemos que o meio ambiente e o processo produtivo são extremamente necessários, devem estar juntos. O problema do meio ambiente não vem só da agricultura e não é só dos agricultores. O grave problema ambiental deve ser tratado nas cidades também, pois são elas as grandes vilãs, as maiores poluidoras. O grave problema ambiental requer uma participação muito grande do meio urbano”, conclui Moacir Micheletto.

     Ambientalistas presentes ao debate também opinaram sobre a questão, a opinião não difere muito do que já havia sido comentado e debatido. Laura Jesus de Moura e Costa, que representa diversas entidades ligadas à defesa do meio ambiente, afirma que o grande desmatador não é o pequeno agricultor, mas sim o grande produtor. “Qualquer tipo de desmatamento trás sérios prejuízos ao meio ambiente, mas devemos também entender que é necessário plantar, pois a sobrevivência da raça humana também depende disso, por esta razão devemos sempre preservar ao máximo, seguindo uma antiga lei, a lei da mãe natureza”.

 

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